As imensidões não deixam dúvidas, estamos na Patagônia, a cada KM rodado rumo ao Sul, as imagens vão mudando, o ar tem outro sabor e o céu um azul deslumbrante, o clima tem um humor próprio e pode mudar repentinamente. Não tivemos surpresas nos primeiros 600 km de hoje, saímos bem cedo de Viedma, uma pequena cidade, sem grandes atrativos e um hotel "caro" tendo em vista o nada que oferecia....mas, era a única opção e como nós dezenas de viajantes se sujeitam a pagar $ 50 por um quarto.
Os primeiros 600 km foram super tranquilos, um pouco de vento lateral, mas nada que assustasse. Em nossa primeira parada para abastecimento, haviam 2 postos, um Shell e um YPF, no Shell não havia combustível e no YPF uma fila enorme....definitivamente era hora de encher o galão de 10 litros que trouxemos para nos precavermos. É muito comum nessas regiões andarmos 250 a 300 km sem qualquer vestígio de civilização e, sempre corre-se o risco de chegar em um posto sem combustível. com o Galão passamos a dispor de 40 litros de combustível, +ou- 550 km de autonomia.
À medida que o dia avança e a temperatura avança, os ventos começam a ficar mais fortes, quem já esteve por aqui sabe do que estou falando....nos últimos 240 KM o "bicho pegou" ....os ventos estavam super fortes, rajadas constantes fazendo a moto dançar de um lado para o outro, 360 graus de planícies assoladas pelos ventos, não há como fugir, não há onde parar. A sensação é de estar levando uma surra, a velocidade despenca para 80 km por hora e os braços empedram segurando firme o guidon, a cabeça parece que vai ser ejetada do corpo...definitivamente não é tarefa fácil controlar a "nave mãe" e seus quase 300kg de peso embarcado. Por fim, vencemos os 830km, e chegamos em Comodoro Rivadavia, à beira do oceano. Amanhã sairemos bem cedo para fugir um pouco dos ventos e chegar em Rio Gallegos.


Que doideira este trecho, mas a adrenalina corre solta bons ventos para a próxima etapa.
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